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"Jazz. Você tem que achar um
modo de dizer sem dizê-lo".
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A palavra Jass, Jasm ou Jazz era utilizada no sul do Estados Unidos como sinônimo de energia e entusiasmo. Em 1860 este vocábulo indicava uma mulher particularmente apaixonada; em 1886, era utilizado para significar valor, força, talento, etc., e no final do século XIX, como sinônimo de virilidade. A palavra jazz existia na linguagem falada muito antes do nascimento da música, nasceu no Oeste e dali passou para o sul próximo a New Orleans, depois Chicago e enfim a New York. No início do século XX, na região de New Orleans e em suas proximidades, teve origem a manifestação artístico-musical denominada Jazz. Tal manifestação teria surgido na cultura popular e na criatividade das comunidades negras, que ali viviam um de seus espaços de desenvolvimento mais importantes. O Jazz se desenvolveu com a mistura de várias culturas musicais, em particular a afro-americana. Esta nova forma de se fazer música incorporava blue notes, chamada e resposta, forma sincopada, polirritmia, improvisação e notas com swing do ragtime. Os instrumentos musicais básicos para o Jazz eram aqueles usados em bandas marciais e bandas de dança: metais, palhetas e baterias. No entanto, o Jazz, em suas várias formas, aceita praticamente todo tipo de instrumento. Nos dias de hoje, é muito interessante o seu aspecto sonoro, sendo este resultante de um tratamento especial de instrumentos como cordas, bateria e sopros em geral. Desde o começo do seu desenvolvimento, no início do século XX, o Jazz produziu uma grande variedade de subgêneros, como o Dixieland da década de 1910; o Swing das Big Bands, das décadas 1930 e 1940; o Bebop, de meados da década de 1940; o Jazz latino, das décadas 1950 e 60; o Fusion e o PósFusion, das décadas de 1970 e 1980; e o Nu Jazz, no final da década de 90. Devido à sua divulgação mundial, o Jazz se adaptou a muitos estilos musicais locais, obtendo assim uma grande variedade melódica, harmônica e rítmica. O essencial no jazz é sua estrutura rítmica, bastante avançada, com uso constante de síncopes. |
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O primeiro estilo de Jazz, o RAGTIME, possuía as características da música para piano do século passado, utilizando a forma de trio, típica do minueto. Na técnica pianística do rag se encontravam elementos da música de Chopin e Liszt, assim como de marcha e polca, tudo isso dentro do conceito rítmico do negro, daí o nome ragtime, ragged time, tempo destruído. Era uma música do povo, do operário, dos que construíam estradas de ferro, de quem frequentava os botecos à noite, para ouvi-la num piano ao vivo ou numa pianola.

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Em 1900, New Orleans era a capital do jazz, e sua importância se estendeu até os anos trinta e, até essa época, de lá vinham mais da metade dos grandes músicos de jazz. As razões foram: pelo cultivo da tradição franco-espanhola; pela existência de duas diferentes populações negras, a americana e a creole, que gerava uma série de tensões humanas que excitavam a criatividade popular; presença de uma rica atividade musical europeia, popular e erudita; e por último, Storyville, o bairro boêmio da cidade, onde todos esses elementos se cruzavam, nos honk tonks, onde todas as classes se entrecruzavam, sem distinções de classe ou preconceitos.
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O jazz branco da DIXIELAND. Em New Orleans, a pratica do jazz não era privilégio dos negros. O jazz "branco", apesar de menos expressivo que o dos negros, tecnicamente era mais bem acabado. As melodias eram menos rebuscadas, as harmonias mais limpas e a sonoridade menos original. Ouvia-se menos aqueles sons estridentes, o vibrato constante ou glissandi. Quando esses elementos apareciam na execução, eram usados como artifício interpretativo.
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A grande Chicago de 1920. "Se New Orleans engendrou o jazz, Chicago foi sua incubadora ". Para lá migraram, provenientes de sua nativa Nova Orleans, os grandes músicos de jazz, que encontrariam na "Windy City" o terreno cultural ideal para o seu desenvolvimento. Chicago reuniu ao ser redor todo o saber jazzístico de então e foi durante anos a cidade do jazz por excelência. Só muito tempo depois, quando o jazz já havia alcançado sua maturidade artística e estava às portas da estagnação nos anos 40, passou o comando para New York.

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O SWING de Benny Goodman em 1930. O termo SWING, que significa balanço e oscilação, é utilizado no jazz de duas formas completamente diferentes. No sentido técnico, os pesquisadores e historiadores modernos preferem defini-lo como uma dinâmica específica produzida por vários elementos, como o deslocamento insólito dos acentos nos tempos fracos do compasso, a pulsação rítmica muito marcada, a superposição de diferentes planos rítmicos, o ataque decidido (hot) das notas e a execução melódica flexível e liberada de todo o rigor, porém marcada pela pulsação regular dos compassos.
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Com a chegada do BEBOP em 1940, o mundo do jazz ficou dividido em dois campos superpostos: swing (big bands e alguns combos) e revival do jazz de New Orleans. Alguns jovens músicos que trabalhavam nas orquestras de swing queriam não somente aumentar suas oportunidades no mercado, mas procuravam na música um espaço para desenvolver seus proprios estilos. Sentindo que o swing tinha se encaminhado para uma abundância de clichês e de solos previsíveis, jovens artistas se reuniam em jam sessions (as mais conhecidas foram no "Minton's Playhouse" e no "Monroe's Uptown House" em New York) e experimentaram acordes mais avançados e improvisos mais arriscados. Em torno de 1945, o mundo do jazz já estava permanentemente modificado,
com a rápida ascensão do bebop. |
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O COOL JAZZ teve início em 1950, e era uma natural evolução do bebop, mas se diferenciava dos outros estilos porque era uma reação conservadora em relação à uma música radical da qual descendia e no fundo, não significava um movimento mais para frente. No final da década de quarenta, jovens músicos de jazz ficaram diante a um dilema: como alguém poderia tocar saxofone no nível de um Charlie Parker ou trompete na complexidade de um Dizzy Gillespie? Bird e Diz tinham criado e estabelecido padrões ao estilo bebop, a um nível em que eles eram insuperáveis em seus domínios, e a maioria dos seus seguidores esperava ser, no máximo, os melhores imitadores.
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Um processo gradual. Em 1950, o HARD BOP, como o cool jazz e soul jazz , iniciou como uma variação de outro estilo musical, no caso, o bop. Com o crescimento do bop na segunda metade dos anos 40, as estruturas dos acordes, ritmos e de improvisação no jazz se tornaram muito mais complexas. Apesar de os pioneiros serem mestres virtuosos, muitos dos seguidores sacrificaram o sentimento pela precisão, emoção e por velocidade.

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O caminho da ruptura. O FREE JAZZ, que chega em 1960, não aparece como uma drástica rejeição da tradição jazzística, mas sim como sua radicalização, por um caminho que já tinha sido iniciado pelos boppers como Charlie Parker e Thelonious Monk: o caminho da ruptura cada vez mais explícita, com certas regras escritas da forma jazzística, que limitavam de maneira cada vez mais insuportável a criatividade dos novos músicos.

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Com o JAZZ FUSION e o PóS-FUSION, que chegaram entre as décadas de 1970 a 1990, o "Novo" não seria mais considerado superior ao que fosse "velho," tocar um inventivo swing ou bop não seria comparado a usar um velho chapéu. Pelo contrário, em razão de não mais existir uma figura dominante (John Coltrane ou Charlie Parker) para ser reverenciado e copiado, o jazz pareceu estar sem objetivo, quando de fato, todo mundo estava atirando em todas as direções, ao mesmo tempo. Alguns artistas retomaram os velhos estilos, outros mixaram jazz com os idiomas da World Music.

Instrumentos acústicos foram retomados, apesar dos eletrônicos continuarem com a mesma importância. No final de 90, parece que cada estilo de jazz está sendo executado. Na realidade, todos os estilos de jazz continuaram a existir nas décadas de 80 e 90, e uma divisão mais acurada pode ser feita estabelecendo
quatro áreas musicais para estabelecermos referências para os artistas do jazz nesse período: Post Bop (ou Neo Bop), Avant-Garde, Fusion até Crossover, e Mainstream até Dixieland.
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Enfim o NU JAZZ. O Nu jazz foi um termo criado no final dos anos 90 para se referir à música que combina o jazz com outros estilos musicais, como o soul, funk, música eletrônica e junto com o improviso. Também escrito nu-jazz ou Nu Jazz, é às vezes chamado electrónicas jazz, electro-jazz, e-jazz, jazztronica, jazz house, fusion, "neo-jazz" ou futuras jazz. Segundo o crítico Tony Brewer: "Nu Jazz é para o Jazz tradicional o que o punk ou grunge foi o para o Rock." As canções são o foco e não o indivíduo ou também as proezas dos músicos. Nu Jazz é a instrumentação que varia desde o tradicional ao experimental, as melodias são frescas, e os ritmos são novos e vivos. Nu Jazz surgiu a partir da utilização de instrumentos eletrônicos em produção na década de 70 por Miles Davis, Herbie Hancock, e Ornette Coleman. No início de 1980, Hancock trabalhou com Bill Laswell no álbum Future Shock e antecipou o estilo da sua incorporação dos ritmos electro e hip-hop. |
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No final do anos 80, muitos músicos de hip-hop trabalharam no estilo jazz rap, entre eles, Gang Starr, The Roots, A Tribe Called Quest, e Nas. Ainda na década de 80, outros músicos tiveram a inspiração do jazz, sobretudo o jazz funk. Em meados dos anos 90 e início de 2000, os músicos da Downtempo, St. Germain, DJ Takemura, Perry Hemus, Jazzanova, Nicola Conte e outros começaram a mergulhar profundamente no jazz. |
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" Jazz é a arte do improviso. "
Fernando Macedo |
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